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Por José Maria Pugas Filho (ze@clipestesia.com.br)
Agosto, mês de desgosto... e pop!
Nem bem sopramos as velinhas de meio século da Madonna e estamos assando o bolo dos 25 anos de Thriller. Esses dois ídolos estão tão enraizados nos altares da música mundial que nos esquecemos por que eles chegaram lá. Nesta edição, lembraremos nosso esquecido leitor por que MJ é MJ.
Uma vida em números
Se tivéssemos em mãos o currículo de Jackson teríamos que ser bem atentos para saber quais números seriam os maiores, se os da sua discografia, do número de clipes, dos prêmios, dos escândalos ou das plásticas.
Premiado como o cantor pop com mais discos vendidos do Milênio, Artista do Século, pela American Music Awards e o prêmio Bambi de Artista Pop do Milênio, MJ ainda coleciona em sua estante de troféus e narizes duas representações no Hall da Fama do Rock and Roll – pelo Jackson 5 em 1997 e como artista solo em 2001, menção no Hall da Fama de Compositores em 2002, 8 recordes no Guiness Book, 13 prêmios Grammy, 13 singles número 1 em sua carreira solo – mais do que qualquer outro artista – e 750 milhões de discos vendidos no mundo inteiro.
Some a isso um lucro estimado em 500 milhões de dólares só dos direitos sobre suas músicas, shows e apresentações e um catálogo de canções que os poucos que tentaram estimar o valor passaram – e muito – da casa dos bilhões de dólares. Dos seus 50 anos de idade, 40 foram dedicados a uma carreira polêmica e única.
OK, prometo não citar os adjetivos de Rei do Pop, maior fenômeno musical desde Elvis Presley e Beatles, Gênio entre outros.
A Origem do Império
Por mais populares que as apresentações dos Jackson 5 na televisão fossem, dificilmente poderíamos considerar estes vídeos como clipes. Foi em sua carreira solo, com o primeiro álbum Off The Wall e os sucessos Rock With You e Don’t Stop Till You Get Enough com seus respectivos clipes antológicos. Além de marcar o início da carreira solo de Michael Jackson com um álbum tão premiado que já o consagrou no mundo musical, foi no final dos anos 70 que ele faria a primeira cirurgia plástica e teria seu primeiro papel no cinema – como o Espantalho na versão musical de Mágico de Oz, de Quincy Jones.
Don’t Stop Till You Get Enough
Rock with You
You can’t win
E, como todos sabemos, a primeira nunca se esquece. As 14 plásticas – pelo menos – que se seguiram comprovam isso.
Ave Michael – os anos 80
Impossível qualquer um passar mais de meia hora em uma das festas nostálgicas dos anos 80 sem ouvir uma música de Michael Jackson. E o pior, sem copiar suas coreografias.
A realidade é que os anos 80 foram de Michael Jackson.
A começar pela inovação de seus clipes. Foi ele quem decidiu dar status privilegiado aos clipes e o resultado foi a consolidação de tudo que entendemos por videoclipes.
Billy Jean e Beat It ousavam. E criavam. Os clipes eram esperados pelos fãs com ansiedade, iniciando o fenômeno do consumo do artista também pelos seus vídeos musicais. Com a diferença que para Michael, clipes eram encarados como pequenos filmes, narrativas que representavam teatralmente o que era para o artista aquela música.
Os efeitos especiais, coreografias e roupas anunciavam à década perdida como ela seria lembrada: pelo exagero. Ou vai me contar que a briga de rua coreográfica e a jaqueta vermelha no Beat It são absolutamente normais? Se assim fosse, o Ballet de Bolshoi seria uma entidade terrorista.
Billie Jean
Beat It
Billie Jean e Beat It seriam apenas duas faixas do considerado por muitos o melhor álbum da história do pop: Thriller.
O álbum que vendeu sozinho 104 milhões de cópias (sim, isso não é exagero!), fora os singles, foi o único a ficar 80 semanas consecutivas no Top 10 da Billboard, sendo 37 semanas em primeiro lugar.
Bonecos de Michael Jackson eram vendidos nas lojas e, segundo o biógrafo Taraborelli, “em algum momento, Thriller parou de ser vendido como um item de lazer – como uma revista, um brinquedo, ingressos para um filme blockbuster – e começou a ser comercializado com um item doméstico de primeira necessidade”. O álbum foi responsável pelo maior – e último – boom da indústria fonográfica americana, contribuindo para os melhores resultados desde 1978.
O clipe de Thriller é um capítulo à parte da história de Michael Jackson. Um capítulo que foi o ápice deste artista, sua coroação como Rei do Pop e Gênio criador do passo MoonWalk, e que seria celebrado como o melhor ano de todos para Michael.
E desde 1983, 25 anos se passariam até chegarmos a esta edição. Parabéns, Michael, pois hoje comemoraremos os seus bons dias.
25 anos do Thriller: por que comemoramos?
Esta pergunta chega a ser idiota, não? Mas não seria ela tão idiota quanto perguntarmos como um clipe de 14 minutos pode estar entre os clipes mais vistos, revistos e copiados no planeta?
Quando lançado, o clipe foi o mais caro de todos os tempos, alcançando a vultosa soma de 500 mil dólares (saiba mais). Pouco, comparado com as 9 milhões de fitas VHS vendidas somente no Natal de 1983, três semanas depois de sua estréia oficial na MTV americana. Outro recorde!
Para muitos, Thriller foi um filme de mau gosto, sensacionalista, uma junção completamente sem sentido de John Landis, diretor de Um Lobisomem Americano em Paris, misturando zumbis e lobisomens. Para piorar, a narração era de Vincent Price, ícone dos filmes de terror cuja pertinência ao mundo artístico era discutido pelos mais conservadores.
O que não impediu que o vídeo levasse o Grammy de melhor filme, três MTV Awards e o título de Melhor Clipe de Todos os Tempos, pela MTV em 1999.
A coreografia marcou uma geração e é parodiada no mundo dos videogames, desenhos animados, cinematografia, teatro, ou seja, seu reconhecimento como peça-chave para se compreender o pensamento estético dos anos 80 é incontestável.
Enfim, uma obra de arte do terror e do pop que dispensa apresentações. Amém
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